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sexta-feira, 16 de março de 2012

O MARTELO DO APOSTOLO VALDOMIRO E O MARTELO DE LUTERO

O APOSTOLO VALDOMIRO SANTIAGO JAMAIS IRÃO EXPLICAR AS SUAS OVELHINHAS A HISTÓRIA DE LUTERO OU INDICAR A SEUS TELESPECTADORES A ASSISTIREM O FILME DE LUTERO POIS SE FIZEREM ISSO VAM FALIR.

As 95 Teses contra o Comércio das Indulgências.PARA ENTENDER O QUE É I NDULGENCIAS E SABER QUEM SÃO OS FALSOS PROFETAS DE HOJE ASSISTA AO FILME LUTERO VARIAS VEZES PARA COMPARAR OS APOSTOLOS DE HOJE COM OS PAPAS DA ÉPOCA DE LUTERO O FILME ESTÁ NO FINAL DO BLOGUE PARA VOCE ASSISTIR COMPLETO.


(Afixadas em 31 de Outubro de 1517 na Catedral de Wittenberg, por Martinho Lutero).
Nota do Tradutor
Estas teses devem ser entendidas em seu contexto histórico, qual seja: Lutero era, naquele momento, um padre católico romano, devotado a esta igreja e ao Papa que a comandava. Ele era professor em um importante seminário de formação teológica da Igreja Romana, e tinha profunda formação agostiniana, o que lhe fazia dar (como pode ser visto em várias de suas teses) grande valor ao castigo físico, e aos sofrimentos em geral, como meios adequados e necessários ao crescimento cristão e ao aprendizado da Fé.
Pode-se também observar, em todo o decorrer do texto, uma clara intenção de suscitar a possibilidade de reforma da Igreja de Roma, antes de confrontá-la, e menos ainda de dividi-la.
A divulgação das "95 Teses" não foi, como tem sido ensinado por alguns, um ato de heroísmo ou de desprendimento, mas foi apenas a publicação de um convite para uma "disputa acadêmica" entre mestres e alunos do seminário; haja visto sua publicação em Latim e não em Alemão (que era a língua do povo dali). Todo o texto é, assim, apenas um conjunto de assuntos que deveriam ser debatidos por ocasião da "disputa acadêmica", e tinha como finalidade expor questões sobre a venda de indulgências. Prática esta que possuía grandes contradições doutrinárias que aliadas à corrupção de muitos dos clérigos responsáveis por sua aplicação, faziam com que fosse vista por Lutero como grande ameaça à credibilidade da igreja de Roma, bem como do Papa.
Fica patente também, pelo texto, que Lutero esperava receber completo e irrestrito apoio do Papa no que diz respeito às suas teses, mas, contrariamente às suas expectativas, recebeu forte censura. A ponto de serem enviados, pelo Papa Leão X, agentes para disputarem teologicamente com ele, e de ser iniciado um processo inquisitório, que culminou em janeiro de 1521 com sua excomunhão. Foi esta oposição recebida da parte do Papa e da Igreja Romana, e não estas 95 Teses, que fizeram com que Lutero desse início ao seu protesto, que finalmente resultou na Reforma Protestante.
Introdução
Por amor à verdade e com o desejo de trazê-la à luz, as seguintes teses serão debatidas em Wittenberg, sob a presidência do Reverendo Frei Martinho Lutero, Mestre de Artes e de Sagrada Teologia, e Professor Oficial das mesmas naquele lugar. Ele, portanto, pede que aqueles que estão impedidos de estarem presentes e debater oralmente conosco, possam fazê-lo por carta.
Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
1ª Tese: Nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo, quando disse: "Fazei penitência"[1] [cf. Mt 4.17], quis que toda a vida dos fiéis fosse arrependimento.
2ª Tese: Esta palavra não pode ser entendida como significando a penitência sacramental, isto é, a confissão e a satisfação, que é administrada pelos sacerdotes.
3ª Tese: Nem também significa somente arrependimento interior, e mais, o arrependimento interior é nulo, a não ser que externamente produza variadas mortificações da carne.
4ª Tese: A pena [do pecado], consequentemente, continua enquanto continuar o ódio por si mesmo (este é o verdadeiro arrependimento interior), e continua até nossa entrada no Reino dos Céus.
5ª Tese: O Papa não pretende nem pode remir quaisquer penas além daquelas que ele impôs, seja através de sua própria autoridade ou através da dos cânones.
6ª Tese: O Papa não pode remir qualquer culpa, a não ser declarando, e confirmando que ela foi remida por Deus; ainda que, para estar seguro, ele possa conceder remissão em casos que são reservados ao seu julgamento. Se seu direito de conceder remissão em tais casos for desprezado, o culpado permanecerá inteiramente sem perdão.
7ª Tese: Deus não redime a culpa de qualquer pessoa sem que Ele, ao mesmo tempo, a humilhe em todas as coisas e a traga em sujeição ao Seu substituto, o sacerdote.
8ª Tese: Os cânones penitenciais são impostos somente aos vivos, e, segundo os mesmos, nada pode ser imposto aos que morrem.
9ª Tese: Portanto, o Santo Espírito no Papa nos é benevolente, porque, em seus decretos, este sempre faz exceção ao artigo da morte e da necessidade.
10ª Tese: Maldosas e sem conhecimento de causa são as obras daqueles sacerdotes que reservam aos moribundos as penitências canônicas para o purgatório.
11ª Tese: Essa cizânia de transformar a pena canônica em pena de purgatório evidentemente foi semeada enquanto os bispos dormiam.
12ª Tese: Em tempos passados, as penas canônicas foram impostas não depois, mas antes da absolvição, como verificação de verdadeira contrição.
13ª Tese: Os que estão à morte são libertos pela morte de todas as penas; eles já estão mortos para as leis canônicas, e têm o direito de serem dispensados delas.
14ª Tese: A saúde imperfeita [da alma], ou seja, o amor imperfeito, dos que estão à morte traz necessariamente consigo grande temor, e tanto mais quanto menor for o amor.
15ª Tese: Este temor e horror são suficientes por si sós (para não dizer outras coisas) para constituírem-se na pena de purgatório, desde que estão próximos do horror de desespero.
16ª Tese: Inferno, purgatório e céu parecem diferir como o fazem o desespero, o quase desespero e a garantia de segurança.
17ª Tese: Parece necessário, com as almas no purgatório, que diminua o horror e que cresça o amor.
18ª Tese: Parece não ter sido provado, nem por razão nem por Escritura, que elas estão fora do estado de mérito, ou seja, do crescente amor.
19ª Tese: Também parece não ter sido provado que elas, ou pelo menos que todas elas, estão certas ou asseguradas de sua própria bem-aventurança, ainda que nós possamos estar bem certos disto.
20ª Tese: Portanto, por "plena remissão de todas as penas", o Papa não quer dizer verdadeiramente "de todas", mas somente daquelas impostas por ele próprio.
21ª Tese: Portanto, erram aqueles pregadores de indulgências, os quais dizem que através das indulgências do Papa um homem é liberto de todas as penas, e salvo.
22ª Tese: Considerando que ele não envia às almas no purgatório nenhuma pena que, segundo os cânones, elas deveriam ter pagado nesta vida.
23ª Tese: Se é que é de todo possível conceder a alguém remissão de todas e quaisquer penas, é certo que esta remissão poderia ser dada somente aos mais perfeitos, ou seja, pouquíssimos.
24ª Tese: Isto faz ser necessário, por consequência, que a maior parte do povo está sendo enganada pela indiscriminada e retumbante promessa de absolvição da pena.
25ª Tese: O poder que o Papa tem sobre o purgatório, de modo amplo, é exatamente como o poder que qualquer bispo ou cura tem em sua própria diocese ou paróquia, de modo particular.
26ª Tese: O Papa faz muito bem quando, não pelo poder das chaves (as quais ele não possui), mas por meio de intercessão, concede remissão às almas.
27ª Tese: Pregam a doutrina humana os que dizem que “assim que a moeda tilintar na caixa, a alma voará para fora” (do purgatório).
28ª Tese: O certo é que, quando a moeda tilintar na caixa[2], o lucro e a avareza poderão crescer, mas o resultado da intercessão da Igreja está somente na vontade de Deus.
29ª Tese: E quem sabe se todas as almas no purgatório desejam ser remidas, como na lenda de São Severino e Pascoal?
30ª Tese: Ninguém está certo de que sua própria contrição é sincera; muito menos que tenha obtido plena remissão.
31ª Tese: Quão rara é a verdadeira penitência, tão rara quanto quem legitimamente adquire indulgências, ou seja, raríssima.
32ª Tese: Serão condenados eternamente, junto com seus mestres, aqueles que crêem que a si mesmos garantiram salvação por causa de suas cartas de perdão (indulgência).
33ª Tese: Deve-se estar em guarda contra aqueles que dizem que as indulgências papais são aquelas inestimáveis dádivas de Deus pelas quais o homem é reconciliado com Ele.
34ª Tese: Porque estas graças de perdão se referem somente às penas de satisfação sacramental, e estas são impostas pelo homem.
35ª Tese: Não pregam Doutrina Cristã os que ensinam que àqueles que desejam alcançar a redenção da alma, não é necessário o arrependimento.
36ª Tese: Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem direito à plena remissão das penas e da culpa que lhe cabem, mesmo sem as cartas de perdão.
37ª Tese: Qualquer verdadeiro cristão, seja vivo ou morto, tem parte em todas as bênçãos de Cristo e da Igreja; e isto lhe é concedido por Deus, mesmo sem as cartas de perdão.
38ª Tese: Entretanto, a remissão e a participação do Papa de modo nenhum devem ser desprezadas, pois (como já disse) é uma declaração de remissão divina[3].
39ª Tese: É muito difícil, mesmo para os teólogos mais capazes, exaltar ao povo, ao mesmo tempo, a abundância das indulgências e a [necessidade de] verdadeiro arrependimento[4].
40ª Tese: O verdadeiro arrependimento busca e ama as penas, mas a abundância de indulgências relaxa as penas e faz [o povo] odiá-las, ou pelo menos, dá ocasião a isto[5].
41ª Tese: Deve-se pregar com cuidado sobre as indulgências apostólicas, para que o povo, equivocadamente, não as entenda como sendo preferíveis às outras boas obras do amor[6].
42ª Tese: Os cristãos devem ser ensinados que o Papa não tem a intenção de que a compra de indulgências seja comparada, de qualquer forma que seja, com as obras de misericórdia.
43ª Tese: Os cristãos devem ser ensinados que aquele que dá ao pobre ou empresta ao necessitado faz uma melhor obra do que [faria] comprando indulgências[7].
44ª Tese: Porque pela obra do amor cresce o amor e o homem se torna melhor, mas pelas indulgências o homem não se torna melhor, somente mais livre da pena.
45ª Tese: Deve-se ensinar aos cristãos, que aquele que vê alguém em necessidade e o negligencia, e gasta [seu dinheiro em indulgências], não adquire indulgências do Papa, mas a ira de Deus.
46ª Tese: Deve-se ensinar aos cristãos, que a menos que tenham muito mais do que necessitam, devem separar o que é necessário às suas próprias famílias, e de modo algum desperdiçar dinheiro com indulgências.
47ª Tese: Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é uma questão de liberdade e não um mandamento.
48ª Tese: Deve-se ensinar aos cristãos que o Papa, ao conceder indulgências, necessita e, portanto, deseja as suas devotas orações em seu favor, mais do que o dinheiro que lhe apresentam.
49ª Tese: Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do Papa são úteis se eles não depositarem sua confiança nelas; mas são completamente nocivas se, através delas, eles perderem o temor de Deus.
50ª Tese: Deve-se ensinar aos cristãos que se o Papa soubesse das extorsões dos pregadores de indulgências, ele preferiria que a Basílica de São Pedro fosse reduzida a cinzas, a ser ela edificada com a pele, a carne e os ossos das suas ovelhas.
51ª Tese: Deve-se ensinar aos cristãos que seria desejo do Papa, como é seu dever, dar do seu próprio dinheiro a muitos daqueles de quem os mascates das indulgências extorquem o dinheiro, mesmo que para isto a Basílica de São Pedro tivesse que ser vendida.
52ª Tese: Vã é a garantia de salvação através das cartas de perdão, mesmo se o comissário, ou mesmo o próprio Papa, empenhassem suas almas por elas.
53ª Tese: Inimigos de Cristo e do Papa são aqueles que propõem que a Palavra de Deus seja de todo silenciada em algumas igrejas, de modo que as indulgências possam ser pregadas.
54ª Tese: Injúria é feita à Palavra de Deus quando, em algum sermão, um tempo igual ou maior é gasto com as indulgências que com ela.
55ª Tese: O pensamento do Papa, necessariamente, é que se as indulgências (que são coisas de importância menor, são celebradas com um badalar de sino, com uma procissão e com uma celebração de cerimônia), o Evangelho, que é o mais importante, seja pregado com uma centena de badaladas de sinos, e com uma centena de procissões e com uma centena de celebrações de cerimônia.
56ª Tese: Os tesouros da Igreja, a partir dos quais o Papa concede as indulgências, não são suficientemente mencionados ou conhecidos entre o povo de Cristo.
57ª Tese: Que eles não são temporais é certo e patente, por isso muitos dos vendedores [de indulgências] não os distribuem facilmente, mas somente os ajuntam.
58ª Tese: Nem são eles os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre operaram (sem o Papa) a graça sobre o homem interior, e, a cruz, a morte e o inferno [operaram a graça] sobre o homem exterior.
59ª Tese: São Lourenço disse que os tesouros da Igreja sãos os pobres da Igreja, mas ele falou de acordo com o uso da palavra em seu próprio tempo.
60ª Tese: Sem temeridade dizemos que as chaves da Igreja, dadas pelo mérito de Cristo, são estes tesouros.
61ª Tese: Porque claro está que para a remissão das penas e das quedas, o poder do Papa é, por si só, suficiente[8].
62ª Tese: O verdadeiro tesouro da Igreja é o Santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus[9].
63ª Tese: Mas este tesouro é naturalmente o mais odioso, porque faz os primeiros serem os últimos.
64ª Tese: Por outro lado, o tesouro das indulgências é naturalmente mais aceitável, porque faz os últimos serem os primeiros.
65ª Tese: Portanto, os tesouros do Evangelho são as redes que foram anteriormente usadas para pescar homens de posses.
66ª Tese: Os tesouros das indulgências são redes com as quais eles agora pescam as posses dos homens.
67ª Tese: As indulgências que os pregadores proclamam como as "grandes graças" são entendidas com sendo realmente isto, na medida em que promovem ganho [de renda].
68ª Tese: Ainda que sejam, na verdade, das graças, as menores [quando] comparadas com a graça de Deus e a piedade da Cruz.
69ª Tese: Os Bispos e Curas são obrigados a admitir os comissários de indulgências apostólicas com toda a reverência.
70ª Tese: Mas, ainda mais, são obrigados a observar com todos os olhos e ouvir com todos os ouvidos, a fim de que estes homens não preguem seus próprios sonhos ao invés do que lhes foi comissionado pelo Papa.
71ª Tese: Aquele que falar contra a verdade das indulgências apostólicas, seja anátema (excomungado) e amaldiçoado.
72ª Tese: Mas, bem-aventurado seja aquele que se guarda contra a concupiscência e a licenciosidade dos pregadores de indulgências.
73ª Tese: O Papa, com justiça, fulmina aqueles que, de alguma forma, defraudam o comércio de indulgências.
74ª Tese: Mas, muito mais deseja ele fulminar aqueles que usam o pretexto das indulgências para defraudar a santa caridade e a verdade.
75ª Tese: Pensar que as indulgências papais são tão eficazes que podem absolver um homem mesmo que tenha cometido um pecado impossível e violentado a Mãe de Deus - é loucura.
76ª Tese: Dizemos, ao contrário, que as indulgências papais não são capazes de remover nem o menor dos pecados veniais, no que concerne à sua culpa.
77ª Tese: É dito [por alguns] que mesmo São Pedro, se fosse o Papa agora, não poderia conceder maiores graças [que as indulgências]; isto é blasfêmia contra São Pedro e contra o Papa.
78ª Tese: Dizemos, ao contrário, que mesmo o Papa atual, bem como qualquer outro Papa, tem maiores graças à sua disposição; a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças, os dons de curar, etc., como está escrito em I Coríntios XII.
79ª Tese: Dizer que a cruz, erguida no brasão junto com as armas papais, equivale à Cruz de Cristo, é blasfêmia.
80ª Tese: Terão que prestar contas, os Bispos, Curas e teólogos que permitem que tais sermões sejam difundidos entre o povo.
81ª Tese: Esta desenfreada pregação de indulgências faz com que não seja fácil, mesmo para homens doutos, resgatar a reverência devida ao Papa por causa das calúnias e mesmo [por causa] dos astutos questionamentos dos leigos.

82ª Tese: A saber: - “Por que o Papa não esvazia o purgatório, por causa do santo amor e da horrenda necessidade das almas que lá estão, se ele poderia redimir um número infinito de almas com o mui funesto dinheiro com o qual constrói uma Basílica? Não são as primeiras razões mais justas; e a última insignificante?”.
83ª Tese: Igualmente: - “Por que continuam as missas por morte e aniversário dos falecidos, e por que ele não restitui ou permite a devolução de ofertas efetuadas em favor deles, já que é errado orar pelos já redimidos?”.
84ª Tese: Igualmente: - “O que é esta nova piedade de Deus e do Papa, que por dinheiro permitem a um homem, que é ímpio e seu inimigo, comprar a saída do purgatório da alma devota de um amigo de Deus, e não antes, por causa da própria necessidade daquela alma amada e devota, a livra por puro amor?”.
85ª Tese: Igualmente: - “Por que estando os cânones penitenciais já há muito, de fato e por desuso, revogados e mortos, estão agora sendo satisfeitos pela concessão de indulgências, como se ainda estivessem vivos em pleno vigor?”.
86ª Tese: Igualmente: - “Por que o Papa, cuja fortuna é hoje maior que as riquezas dos ricos mais ricos, não constrói esta Basílica de São Pedro com seu próprio dinheiro, ao invés de com o dinheiros dos pobres fiéis?”.
87ª Tese: Igualmente: - “O que é que o Papa perdoa, e qual participação ele concede àqueles que, por perfeito arrependimento, tem direito à plena remissão e participação?”.
88ª Tese: Igualmente: - “Que bênção maior [não] poderia ser proporcionada à Igreja, se o Papa fosse fazer mil vezes por dia o que ele agora faz uma só vez, e concedesse a cada fiel estas remissões e participações?”.
89ª Tese: “Já que o Papa, através de suas indulgências, busca a salvação das almas ao invés do dinheiro, por que suspende as indulgências e perdões concedidos anteriormente, se estes têm igual eficácia?”.
90ª Tese: Reprimir estes argumentos e escrúpulos dos leigos somente pela força, e não os resolvendo apresentando razões, é expor a Igreja e o Papa à ridicularização por seus inimigos, e tornar os cristãos infelizes.
91ª Tese: Se, portanto, as indulgências são pregadas de acordo com o espírito e a mente do Papa, todas estas dúvidas serão prontamente resolvidas; não, mais ainda, elas nem existirão.
92ª Tese: Fora, então, com todos aqueles profetas que dizem ao povo de Cristo: "Paz, Paz!" e não há paz!
93ª Tese: Bem-aventurados sejam todos aqueles profetas que dizem ao povo de Cristo: "Cruz, Cruz!", e não há Cruz![10]
94ª Tese: Os cristãos devem ser exortados a que sejam diligentes em seguir a Cristo, seu Cabeça, através de penitências, de mortes, e do inferno.
95ª Tese: E deste modo estejam certos de que entrarão no Céu, antes por meio de muitas tribulações [cf. At 14.22], que por garantia de paz.

Notas Finais:
*Originalmente publicado em: Revista Espaço Acadêmico – Nº 34 – Março de 2004 – ISSN 1519.6186.

[1] N. do E: Ou "Arrependei-vos" (Versão Revista e Corrigida de Almeida). Aqui, Lutero está claramente questionando o sacramento da "Penitência", do modo como era entendido pelo Sistema Sacramental Católico-Romano medieval. Ele explica como este versículo de Mateus deve ser interpretado corretamente.
[2] Lutero refere-se à caixa de coleta de rendas oriundas da venda de “cartas de indulgência”. (Vide Tese 36);
[3] Observa neste trecho o quanto a postura de Lutero não é cismática, mas reformadora; pois reconhecia, pelo menos em 1517, o papel do Papa como intercessor. (Vide Teses 61, 69, 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81, 83, 84, 87, 89, 90, 91);
[4] No século XVII, Gregório da Mattos Guerra(1633-1696) voltaria, com sarcasmos, a este tema em seu poema-missiva “A Jesus Cristo Nosso Senhor”: “Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado./Da vossa clemência me despido,/porque, quanto mais tenho delinqüido,/vos tenho a perdoar mais empenhado./.../Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada./ Cobrai-a e não queirais, Pastor Divino,/perder na Vossa ovelha a Vossa glória”. (MATOS, Gregório de. Poemas Escolhidos. São Paulo, Cultrix, 1976. p. 297).(Vide Teses 44, 49, 67, 76, 84, 93);
[5] Lutero é marcadamente agostiniano e, por isso, insiste no valor pedagógico do castigo, na utilidade do sofrimento, no recurso necessário aos métodos repressivos – tanto em matéria de fé quanto de política. (Vide Teses 94, 95);
[6] Em 1525, Lutero afirmaria abertamente que condenada estaria toda a obra que não nascesse do amor, no sentido das “charitas” de Cristo, o que significava que a “obra” concebida como “cálculo de indulgência” não teria o menor efeito; mesmo porque não caberia ao homem julgar a fé de outrem, pois somente Deus conheceria o que se passava no coração dos homens. O efeito disso, diferentemente do tom ainda conciliador de 1517, era tornar a instituição eclesiástica completamente desnecessária para reger o “mundo interior” do cristão. (Vide Teses 47, 48, 49, 51, 52, 53, 55, 57, 58, 65, 66);
[7] Esta tese tem dois alvos: em âmbito geral, a elite nobre e não-nobre alemã que desperdiçava recursos em encomendas de missas ou patrocínio de igrejas às custas da miséria ou exação de seus subordinados; em âmbito particular, o Cardeal Alberto de Brandeburgo (1490-1545). Para ter sua confirmação para o Arcebispado de Mayence em 1514, Alberto tinha que conseguir uma soma considerável e enviá-la para Roma. Para tanto, ele fez um empréstimo e o assentou, com autorização papal, sobre a arrecadação das indulgências vinculadas à construção da Basílica de São Pedro em Roma. Segundo o acordo entre Alberto e o Papado, metade do arrecadado iria para a construção da basílica e a outra metade para Alberto quitar suas dívidas provenientes da investidura no arcebispado. No final das contas, o Papa teria o conjunto das rendas de Brandeburgo vinculadas às indulgências. (Vide Teses 46, 47, 48, 50, 51, 52, 55, 56, 59, 65, 66, 82, 83, 85, 86, 88);

[9] N.do E: Da 60ª à 66ª tese, Martinho faz um contraste entre o "tesouro das Indulgências" e o "verdadeiro tesouro da Igreja": o Evangelho de Cristo. Aqui, já podemos notar uma forte tendência para o Sola Scriptura.
[10] Com tal imprecação, Lutero espera uma reforma moral da Igreja e seu rebanho, o que significava a interiorização da fé, da contrição e das “charitas”. (Supra notas “3” e “5”).
ASSISTA AO FILME DE LUTERO

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